Tesouro Selic ou IPCA+: Qual Escolher? Diferenças e Riscos

Atualizado: 30 de ago.
Tesouro Selic e Tesouro IPCA+ são títulos públicos com características diferentes. A escolha deve partir do prazo, da necessidade de liquidez e do risco de vender antes do vencimento, e não de uma ideia de que exista um título universalmente melhor.

Neste artigo, você vai entender tudo sobre esses dois títulos, comparar seus rendimentos e descobrir qual é o melhor investimento para você.
O comportamento real pode variar conforme as condições de uso, o ambiente e a configuração do produto. Considere as especificações oficiais e as limitações descritas neste artigo ao avaliar este ponto.
O Tesouro Selic se destaca como uma opção de baixa volatilidade e de alta liquidez, moldando-se perfeitamente para metas a curto prazo e para composição de uma reserva de emergência, essa última servindo como um colchão financeiro para imprevistos ou despesas não planejadas.
O Tesouro IPCA+ costuma ser usado em objetivos de longo prazo porque combina a variação do IPCA com uma taxa real contratada na compra. Isso não significa retorno superior em qualquer cenário: o resultado depende da taxa contratada, do prazo e de o investidor carregar ou não o título até o vencimento.
Este título híbrido compõe a rentabilidade com base na variação da inflação e em uma taxa definida no momento da compra, o que pode representar uma estratégia eficaz contra a desvalorização monetária.
Conseguir determinar a melhor aplicação entre o Tesouro Selic e o IPCA demanda um entendimento mais aprofundado sobre esses mecanismos e como eles se alinham ao perfil do investidor.
Veja nosso artigo: Poupando e Investindo em Renda Fixa: Uma Abordagem Baseada em Dados
Tesouro Selic

O Tesouro Selic, também conhecido por LFT (Letra Financeira do Tesouro), é um dos principais títulos oferecidos pelo Tesouro Direto. Sua rentabilidade está atrelada à taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
Rendimento: segue a variação da taxa Selic;
Risco: considerado baixo, garantido pelo Governo Federal;
Liquidez: diária, permitindo resgates a qualquer momento;
Indicação: ideal para investimentos de curto prazo;
Custódia: administrada pela B3.
O Tesouro Selic acompanha de perto a taxa básica de juros e tende a apresentar menor oscilação de preço do que títulos de prazo longo. Por isso, costuma ser utilizado para objetivos de curto prazo e reserva de emergência, embora nenhum investimento seja completamente isento de risco ou de regras de liquidação.
Portanto, é uma alternativa eficaz de investimento em relação à poupança, apresentando melhores perspectivas de rentabilidade.
Tesouro IPCA+

O Tesouro IPCA+ oferece rentabilidade composta pela variação do IPCA mais uma taxa real definida na compra. Mantido até o vencimento, ele busca preservar e ampliar o poder de compra conforme a taxa contratada; vendido antes, o preço pode oscilar de forma relevante pela marcação a mercado.
Entretanto, ao negociar o título antes do vencimento, a rentabilidade sofre influência do valor de mercado, que flutua com as expectativas econômicas. Há duas categorias desses títulos: os que acumulam a rentabilidade até o final e os que distribuem juros semestrais.
O Tesouro IPCA é uma modalidade considerada para quem tem visão de futuro, com horizonte de investimento de longo prazo.
A liquidez do Tesouro IPCa é diária, podendo ser negociado a preço de mercado. No entanto, há a possibilidade de haver perda financeira se o resgate ocorrer em momentos de alta na taxa básica de juros, o que tende a desvalorizar o papel.
Esse título pode ser resgatado por meio de solicitação na plataforma da instituição financeira, com o crédito ocorrendo em 1 dia útil. É um processo similar ao resgate do Tesouro Selic.
Todos os investimentos em títulos do Tesouro Direto, inclusive o Tesouro IPCA, requerem o pagamento do Imposto de Renda sobre os lucros, com alíquotas regressivas de acordo com o tempo de aplicação.
A taxa de custódia da B3 é, atualmente, de 0,20% ao ano nas regras gerais do Tesouro Direto. No Tesouro Selic, há isenção dessa taxa para estoque de até R$ 10 mil por CPF, com cobrança sobre o excedente. O IR segue a tabela regressiva da renda fixa e chega a 15% sobre os rendimentos para prazos acima de 720 dias; as regras devem ser conferidas no momento do investimento.
Veja nosso artigo: Renda Fixa ou Renda Variável? Saiba qual é a melhor opção para você
Tesouro Selic ou IPCA+: qual faz mais sentido em cada objetivo?
Não existe vencedor absoluto. O Selic tende a ser mais adequado quando liquidez e baixa oscilação importam; o IPCA+ pode ser mais coerente quando há um objetivo de longo prazo com data definida. A marcação a mercado é decisiva nessa comparação.
Ao considerar as opções de investimento no Tesouro Direto, é essencial identificar seus objetivos financeiros.
O Tesouro Selic acompanha a Selic e, por apresentar menor sensibilidade à marcação a mercado, costuma ser mais adequado a objetivos de curto prazo e à parcela da carteira que precisa de maior previsibilidade de resgate.
É uma opção segura para quem busca preservar o capital e necessita de acesso rápido ao dinheiro investido.
O Tesouro IPCA+ pode fazer sentido em objetivos de longo prazo por combinar inflação e taxa real. O principal cuidado é casar o vencimento com a data do objetivo, reduzindo a necessidade de venda antecipada em um momento desfavorável de mercado.
Esse título pode alcançar rendimentos competitivos e é recomendado para quem pode manter o investimento até o vencimento, embora possa apresentar bons resultados em vendas antes do prazo.
É interessante calcular os possíveis rendimentos para tomar a melhor decisão por meio do simulador do tesouro direto.
A diversificação é chave para a gestão eficaz do risco. Portanto, é plenamente viável combinar esses títulos na sua carteira, equilibrando o portfólio entre produtos de menor risco e aqueles com potenciais retornos mais elevados.
Dessa forma, se um investimento não performar como o esperado, os demais podem compensar, assegurando a estabilidade do seu patrimônio.
Com a orientação correta e uma estratégia bem planejada, ambos os títulos – Tesouro Selic e IPCA+ – têm o seu lugar em uma carteira de investimentos diversificada.
Desta maneira, é recomendável realizar uma análise cuidadosa do seu perfil de investidor e dos objetivos financeiros para fazer a melhor escolha.
Como Começar a Investir em Títulos Públicos?

Passo 1: Selecione uma Corretora de Valores
Opte por uma corretora ou instituição financeira que seja confiável e autorizada a operar títulos do Tesouro Direto.
Passo 2: Registre-se na Corretora
Complete o cadastro com seus dados, estabeleça um nome de usuário e senha e aguarde a confirmação por e-mail. Esse processo é geralmente simples e rápido, facilitando o seu acesso a uma variedade de opções de investimento.
Passo 3: Realize um Depósito
Transfira o montante que deseja aplicar no Tesouro Direto da sua conta bancária para a conta na corretora. A transferência pode ser feita via PIX e em seu próprio nome, garantindo a segurança da transação.
Passo 4: Acesse a Plataforma de Investimentos
Após o acesso à plataforma, localize a opção do "Tesouro Direto". Lá, verifique os títulos disponíveis e suas especificações para identificar aquele que mais se alinha aos seus objetivos financeiros.
Passo 5: Efetue o Investimento
Decidiu em qual título aplicar? Selecione a opção "Comprar", coloque o montante que pretende investir, digite sua assinatura eletrônica e confirme a operação. Caso o mercado esteja fechado, você pode agendar a operação para o próximo dia útil. E assim, o processo de investimento estará concluído.
Perguntas Frequentes
Para compreender melhor perguntas frequentes, os tópicos a seguir detalham os critérios mais importantes e mostram como cada aspecto aparece na prática.
Quais as diferenças chave entre Tesouro Selic e Tesouro IPCA?
Tesouro Selic e Tesouro IPCA possuem formas distintas de rentabilidade. O Tesouro Selic tem seu rendimento vinculado à taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia brasileira. Por outro lado, o Tesouro IPCA tem parte do seu retorno definido por uma taxa fixada no momento da compra, e a outra parte segue a variação do IPCA, que é o índice de inflação oficial no país.
Impacto da Selic e IPCA nos rendimentos do Tesouro
Os rendimentos dos títulos do Tesouro Direto são influenciados pelas variações da Selic e do IPCA. Para o Tesouro Selic, uma elevação na taxa Selic implica em um aumento nos juros recebidos. Já para o Tesouro IPCA, o rendimento nominal cresce com a inflação, pois o título oferece uma remuneração adicional sobre o IPCA.
Melhor opção para reserva de emergência
Para uma reserva de emergência, o Tesouro Selic é geralmente a opção mais recomendada. Sua maior liquidez e menor volatilidade em comparação ao Tesouro IPCA o tornam mais adequado para necessidades de curto prazo.
Performance a longo prazo entre Tesouro Selic e IPCA
A longo prazo, a tendência de rendimento dos títulos pode variar de acordo com as flutuações da Selic e do IPCA. O Tesouro IPCA pode oferecer retornos maiores em períodos de inflação crescente, enquanto o Tesouro Selic pode ser mais vantajoso em cenários de alta na taxa Selic.
Como comparar rendimentos com um simulador
Para utilizar o simulador do Tesouro Direto e comparar os rendimentos do Tesouro Selic e do Tesouro IPCA, insira valores como o montante inicial, o prazo de aplicação e as taxas estimadas de juros e inflação. O simulador irá calcular e fornecer uma projeção dos rendimentos de cada título para auxiliar na tomada de decisão.
Cenários favoráveis ao Tesouro Selic sobre o IPCA
Em contextos econômicos com estabilidade ou queda da inflação, o Tesouro Selic pode se tornar mais vantajoso, pois a sua remuneração seguirá qualquer aumento da taxa básica de juros sem o risco de perdas pela inflação, ao contrário do Tesouro IPCA, cujo componente inflacionário pode ser menor.
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Sago Investimentos
Sobre o autor
Paulo Vasconcelos é editor do Sago Investimentos e responsável pela revisão editorial deste conteúdo.
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